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HIGHLIGHTS
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- Amplitude global do debate em meios digitais: segundo dados do Talkwalker (plataforma de social listening e media intelligence), a operação norte-americana na Venezuela gerou um volume expressivo de mais de 50 milhões de postagens em todo o mundo entre 03 e 06 de janeiro/2025. O engajamento atingiu seu ápice em 03/01, impulsionado pela coletiva de Donald Trump. Embora os EUA liderem o volume de conversas (31,6%), o Brasil aparece como um hub central de debate na América Latina, registrando 3,6 milhões de publicações (7,2%) e um alcance de 34,2 milhões de engajamentos, refletindo a alta polarização interna sobre o tema. Em relação à geolocalização das publicações, nota-se grande volume nos Estados Unidos (31,6% das portagens totais), seguido por Espanha (10,8%), Colômbia (10,7%), Brasil (7,2%) e México (5,6%).
- Domínio conservador nas redes sociais no Brasil: segundo o dados do Data Lake (ferramenta proprietária de dados digitais do Instituto Democracia em Xeque), o ecossistema político digital brasileiro foi amplamente dominado por perfis conservadores neste tema, superando o campo progressista em volume (3.952 vs. 1.779 posts) e engajamento (21 milhões vs. 5 milhões de curtidas). A narrativa central dos perfis conservadores e em especial da extrema-direita focam na celebração do fim da ditadura e na figura de Donald Trump como o "protagonista e salvador" da região, utilizando imagens da captura de Maduro (incluindo conteúdos gerados por IA) para reforçar a ideia de liberdade e esperança.
- Uso Intensivo de desinformação e Inteligência Artificial
O debate foi marcado por uma forte presença de conteúdos sintéticos. Houve ampla circulação de fotos falsas da prisão de Maduro e vídeos manipulados, como o que sugeria uma ação armada do MST em Nova York para libertar Maduro.
- Imprensa: Os fins justificam os meios?: o título de artigo de Miriam Leitão no Globo, “Um ato ilegal contra um governante ilegítimo”, resume o enquadramento narrativo nos meios de comunicação do país (assim como em boa parte da imprensa internacional e de líderes políticos mundiais).
- Chefes de Estado: as declarações dos países se alteraram entre aqueles que relativizavam a ação de Trump, justificando que a detenção de Maduro traria “liberdade e democracia” de volta ao país caribenho; e aqueles que alegaram que, mesmo sendo críticos de Maduro, não concordam e condenam a ação dos Estados Unidos.
- Cisão na comunidade internacional: há divisão de posicionamentos entre atores políticos internacionais. Enquanto líderes como Javier Milei e Nayib Bukele comemoraram abertamente a ação, o governo brasileiro, na figura do presidente Lula, e líderes como Pedro Sánchez (Espanha) e Emanuel Macron (França) adotaram posturas críticas ou cautelosas. O ponto de convergência entre os críticos, mesmo entre aqueles que condenam o regime de Maduro, é a defesa da soberania nacional e o temor de que a intervenção abra um "precedente perigoso" para o direito internacional.
- Nova Ordem Mundial: analistas reforçaram que a operação militar estadunidense na Venezuela e o sequestro de Maduro evidenciou o descaso de Trump com o direito internacional e o sistema ONU, indicando o ocaso de um mundo multipolar baseado no multilateralismo e a ascensão de um mundo organizado a partir de três grande potências militares (EUA, Rússia e China) com suas respectivas áreas de influência.
- Estratégia de Segurança Nacional: ganhou destaque na imprensa o fato da ingerência norte-americana na Venezuela estar de acordo com os princípios da Nova Doutrina de Segurança Nacional da administração Trump, lançada em novembro de 2025, marcada pela reedição da Doutrina Monroe, de 1823. Na era Trump, a Doutrina Monroe é reatualizada como um princípio explícito de afirmação unilateral de poder no hemisfério ocidental. Deixa de operar como formulação defensiva ou diplomática e passa a orientar uma postura de pressão direta, intervenção econômica, política e simbólica, subordinando a soberania dos países latino-americanos aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Trata-se de uma doutrina menos normativa e mais coercitiva, baseada na dissuasão, no uso instrumental de sanções e na deslegitimação de arranjos multilaterais.
- Petróleo X Democracia : outro destaque na imprensa foi em torno das narrativas apresentadas sobre os resultados da operação militar. Enquanto Trump, Marco Rubio e Pete Hegseth deixaram claro que seu objetivo é o controle “da cadeia de petróleo” venezuelana, os opositores de Maduro, como Corina Machado e Edmundo González, assim como a maioria dos líderes da extrema direita no Brasil e na América Latina saudaram o episódio como a “volta da democracia e da liberdade” ao país caribenho. Esta menção a democracia, no entanto, não encontra ressonância no pronunciamento de Trump feito após a invasão: o presidente norte-americano mencionou quinze vezes a palavra petróleo e numa vez a palavra democracia.
- Exigência de Trump à Delcy Rodríguez: A agência Reuters destacou que em declarações mais recentes após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump exigiu que a liderança interina da Venezuela, agora encabeçada por Delcy Rodríguez, cumpra determinadas condições alinhadas aos interesses estratégicos dos EUA, como cooperação em segurança e petróleo, ameaçando consequências mais severas caso não o faça, mas não mencionou um cronograma de eleições ou um compromisso claro com um processo democrático no país — uma lacuna que tem gerado críticas e incertezas sobre o papel declarado dos EUA na transição política venezuelana.
- Venezuela efeito dominó: A invasão da Venezuela também alimentou o debate na imprensa sobre um possível efeito dominó da política externa de Donald Trump, diante de ameaças dirigidas a países como Colômbia e Cuba e de sinais de disposição para ações coercitivas além da região. Casos como o da Groenlândia reforçam a percepção de uma estratégia baseada na pressão e na demonstração de força, ignorando limites multilaterais e a soberania dos países;
- Ditadores e autocratas amigos de Trump: as críticas a invasão da Venezuela por parte da imprensa, atores políticos e analistas internacionais destacam a contradição estrutural na narrativa de Donald Trump de que ações externas dos Estados Unidos seriam motivadas pela defesa da democracia, uma vez que seu histórico político demonstra boa relação, admiração explícita ou pragmatismo estratégico com governos ditatoriais e autocráticos. Trump manteve vínculos cordiais com líderes como Vladimir Putin (Rússia), Kim Jong-un (Coreia do Norte), Mohammed bin Salman (Arábia Saudita), Recep Tayyip Erdoğan (Turquia) e Abdel Fattah al-Sisi (Egito), relativizando violações de direitos humanos e a supressão de liberdades civis em nome de interesses geopolíticos, econômicos ou de segurança. Esse padrão desmonta a retórica democrática, evidenciando que a lógica predominante não é a promoção de valores democráticos, mas a conveniência estratégica e a afinidade com lideranças fortes, independentemente de seu caráter autoritário.
- Incerteza: a incerteza sobre como efetivamente estaria a situação na Venezuela e como serão os próximos dias, também gerou debate na imprensa e nas redes sobre o porvir no país. Os cenários vão desde os que acreditam que o governo venezuelano vai “colaborar” com os EUA para que ocorra uma transição rápida e num cenário de paz, passando por receios do país tornar-se um protetorado norte-americano até aqueles que vislumbram riscos de que possa se instalar o caos no país, como ocorreu, por exemplo, nas invasões norte-americanas no Afeganistão ou no Iraque.
- As divergências no Interior do MAGA: O receio de que novas intervenções externas reproduzam desastres estratégicos como os do Afeganistão e do Iraque tem provocado fissuras relevantes dentro da base MAGA (Make America Great Again) de Donald Trump. De um lado, setores nacionalistas e isolacionistas defendem a contenção do uso da força, coerentes com a promessa de “America First” (“América em primeiro lugar”) e com a rejeição a guerras longas, custosas e politicamente improdutivas. De outro, alas mais beligerantes veem a demonstração de poder militar como instrumento de dissuasão e reafirmação da liderança global dos Estados Unidos, aprofundando a tensão interna entre pragmatismo estratégico, memória dos fracassos recentes e impulso por ações unilaterais;
- “Passeio” norte-americano suscita dúvidas: a aparente facilidade com a qual os EUA conseguiram invadir a Venezuela e sequestrar Maduro levantaram debate na imprensa e nas mídias digitais a respeito de possível traição a Maduro entre as lideranças cívicas e militares venezuelanas. A Casa Branca informou contar com agentes infiltrados da CIA, o que aumenta a especulação sobre uma eventual colaboração interna.
- Entre a direita, a ação foi amplamente comemorada como vitória do povo venezuelano contra um “ditador” e “narcotraficante”. As publicações apontam Lula como amigo de Maduro, com seu histórico de apoio ao líder como sinal de que está alinhado a ditadores. O segmento demonstra esperança sobre uma virada à direita na região, acreditando que o caso da Venezuela seja apenas o primeiro passo em um plano mais amplo de desmantelar o Foro de São Paulo, que seria financiado pelo narcotráfico.
- A esquerda e parte da mídia criticaram a postura dos governadores Tarcisio, Caiado, Zema e Ratinho, de celebrarem a invasão norte-americana na Venezuela e a captura ilegal de Maduro. Acusam os governadores de não terem aprendido a lição do tarifaço e de que seguir apoiando ações contra a soberania dos países lhes custarão caro.